Correia, João2026-03-112026-03-112024Saber tradicionalhttp://hdl.handle.net/10400.19/9742O saber tradicional e a memória biocultural configuram-se como elementos centrais para a compreensão das interações históricas e culturais entre as comunidades humanas e o ambiente natural. O saber tradicional, transmitido entre gerações, constitui um património imaterial dinâmico, orientador de práticas agrícolas, sociais e simbólicas que se adaptam às especificidades ecológicas de cada território. Este saber fazer ancestral refere-se ao conjunto de conhecimentos, práticas e crenças desenvolvidos e transmitidos oralmente entre gerações, dentro de uma comunidade. Esses saberes emergem da observação empírica e da experiência direta com o ambiente, abrangendo campos como a agricultura, a medicina popular, o maneio da água, a pastorícia, o uso de plantas e animais, e as práticas rituais associadas à natureza. Poderemos afirmar que o saber tradicional não é estático: ele evolui, reinventa-se e integra-se a novos contextos socioculturais, mantendose como um património imaterial dinâmico. A memória biocultural, por sua vez, representa o conjunto de conhecimentos, valores e práticas resultantes da coevolução entre sociedade e natureza, expressando-se na gestão sustentável dos recursos e na manutenção da diversidade biológica e cultural (Toledo & BarreraBassols, 2008). É, portanto, um conceito mais abrangente. Descreve a integração entre conhecimento, cultura e natureza ao longo do tempo e representa o registo coletivo das interações entre os seres humanos e o ambiente, acumulado na forma de práticas, linguagens, paisagens culturais, rituais e tecnologias locais. É o processo e o resultado da coevolução entre cultura e biodiversidade. É uma forma de “memória viva” que armazena e reproduz o saber tradicional, mas também o contexto ecológico e cultural que o sustenta.porSaber tradicionalother2026-03-04cv-prod-4448233