Browsing by Author "Raimundo, Hugo Alexandre Silva"
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- Relato de erros de medicação: perceções dos enfermeirosPublication . Raimundo, Hugo Alexandre Silva; Ribeiro, Olivério Paiva, orient.TÍTULO DO TRABALHO: Relato de Erros de Medicação: Perceções dos Enfermeiros. ENQUADRAMENTO: Os Erros de Medicação ocorrem em todos os sistemas de saúde de todo o mundo, constituindo um dos mais frequentes eventos adversos no meio hospitalar (19). A deteção e o relato de eventos adversos é crucial para a prevenção do erro em qualquer organização complexa, mas a conduta em presença do erro ocorrido ou potencialmente ocorrido é igualmente crucial. Uma culpabilização e repressão sistemática leva possivelmente a melhoria transitória mas fugaz, não removendo as causas individuais e sobretudo as causas devidas ao sistema, pelo que perpetua o “ciclo do erro”. Atualmente o relato de erros de medicação nos sistemas de saúde é, na maioria das vezes, um ato voluntário, complexo e pouco confidencial e identificam-se múltiplos fatores que impedem o relato do erro. Quando um erro de medicação não é relatado diminui-se drasticamente a possibilidade de evitar no futuro que esse erro volte a acontecer (63). Apesar de diferentes profissões contribuirem para a ocorrência dos Erros de Medicação, os enfermeiros são os profissionais em permanente contacto com os doentes validam o processo de segurança da medicação. Considerados como “gate keepers” são os profissionais em melhor posição para detetar falhas no sistema e garantir a segurança do doente (13)(39). OBJETIVOS: relacionar as variáveis sóciodemográficas, socioprofissionais, formação, conhecimentos e experiências com erros de medicação com a perceção de obstáculos ao relato de erros de medicação, fatores facilitadores do relato de erros de medicação e com o grau de concordância sobre divulgação de erros de medicação. MÉTODOS: Estudo descritivo-correlacional; amostra 117 enfermeiros (70.1% do sexo feminino e 29,9% do sexo masculino). Dados obtidos através de questionário eletrónico constituído por uma componente sociodemográfica, escala de conhecimentos sobre erros de medicação e escala de perceções e experiência de erros de medicação (26)(62)(82). RESULTADOS: A maioria (51.3%) dos inquiridos consideram que nas suas instituições existem grandes obstáculos ao relato de erros de medicação sendo que todos os obstáculos referenciados estão presentes nos seus locais de trabalho ( X =1.69; dp= 0.521). Os dados revelam uma opinião não definida sobre a divulgação dos erros de medicação ao doente e à família. Os inquiridos opõem-se à divulgação de relatórios sobre erros de medicação por parte das instituições de saúde ( X = 3.43; dp=1.140). Os enfermeiros não relatam erros de medicação porque têm receio das consequências disciplinares e laborais. Alguns fatores são identificados como facilitadores do relato, nomeadamente se sentirem benefícios em relatar os erros, tal como aumento da responsabilização, melhoria do sistema e das práticas. De uma forma global as caraterísticas sociodemograficas e socioprofissionais não têm relação com a perceção dos enfermeiros sobre Obstáculos ao Relato de Erros de Medicação, fatores facilitadores do relato de erros de medicação e grau de concordância sobre divulgação dos erros de medicação. A formação profissional contínua está relacionada com a perceção dos obstáculos ao relato de erros de medicação (X2KW(2)=10.065; p=.007; N=117). Os conhecimentos sobre erros de medicação são preditores do nível de concordância sobre divulgação de erros de medicação [t (1, 115) = -3.464; p = .001; β= 0.376]. CONCLUSÃO: Podemos constatar que a perceção dos obstáculos e dos fatores facilitadores do relato de erros de medicação por parte dos enfermeiros não tem, de uma forma geral, relação com caracterísitcas sociodemograficas e socioprofissionais, o que demonstra a transversalidade desta problemática nas instituições. Os nossos resultados sugerem que os hospitais devem rever as suas políticas garantindo que apoiam e encorajam os seus profissionais a relatar erros de medicação. De entre as intervenções sugeridas salientamos eliminação ou minimização da cultura punitiva sobre os enfermeiros, providenciar programas orientadores e formação profissional contínua transversal a todos os enfermeiros, bem como a implementação ou reestruturação de sistemas de relato por forma a aumentar a sua fiabilidade, simplicidade e agilidade. PALAVRAS CHAVE: Erros de Medicação; perceções dos enfermeiros; relato de erros de medicação.
