Instituto Politécnico de Viseu
Repositório Científico
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Avaliação do bem-estar em cães alojados no Santuário Animal Vida Boa: aplicação do Shelter Quality Protocol
Publication . Santos, João Rodrigues dos; Coelho, Catarina; Mega, Ana Cristina
O bem-estar animal tem sido amplamente reconhecido como um indicador fundamental da qualidade dos sistemas de alojamento, particularmente em contextos de abrigo onde os animais se encontram em situação de vulnerabilidade. Para entender as condições de bem-estar dos cães alojados no Santuário Animal Vida Boa, em Vila Real aplicou-se o Shelter Quality Protocol, enquadrado nos princípios do Welfare Quality®. A avaliação baseada neste protocolo incide sobre indicadores ao nível do santuário, da box e do indivíduo, tendo sido avaliadas 30 boxes e 40 cães. Como complemento foi realizada uma análise SWOT, com o objetivo de identificar fatores internos e externos com potencial influência no bem-estar animal.
De forma global, os resultados evidenciaram condições favoráveis ao bem-estar, com disponibilidade de água limpa, cama ou abrigo, proteção climática e baixa frequência de sinais clínicos e comportamentos repetitivos. No que diz respeito à avaliação individual, destacou-se a predominância de condição corporal adequada, pelagem limpa, ausência de alterações cutâneas e respostas maioritariamente sociáveis, embora tenham sido observados alguns casos de claudicação em cães geriátricos. A análise SWOT corroborou esta apreciação globalmente positiva, permitindo, contudo, identificar aspetos passíveis de melhoria, como a predominância de alojamento individual, o potencial impacto do piso em terra e da acumulação sazonal de lama no conforto de alguns animais, bem como a necessidade de monitorizar o efeito do contacto visual permanente entre cães.
Com os resultados obtidos pode-se afirmar que o santuário apresenta, um contexto globalmente favorável ao bem-estar dos cães, mas também tendo ainda alguma margem para melhorar através de medidas práticas de maneio, enriquecimento ambiental e adaptação das infraestruturas.
A prevalência de fungos no canal auditivo externo de cães com otite externa
Publication . Parreira, Inês Batista; Esteves , Fernando; Vala, Helena
A otite externa é uma doença dermatológica que se caracteriza pela inflamação da orelha externa, incluindo o pavilhão auricular até à parede externa da membrana timpânica. A microbiota do canal auditivo externo é constituída por bactérias, como Staphylococcus spp. e fungos como ‘Malassezia pachydermatis’. Esta levedura pode manter a patologia mesmo após a erradicação do fator subjacente e ainda originar alterações patológicas permanentes no canal auditivo. Fatores como a produção excessiva de cerúmen, humidade excessiva e rutura da barreira epidérmica favorecem a multiplicação desta levedura. Os sinais clínicos, quando o agente da infeção é a ‘M. pachydermatis’, são uma coloração castanho-escura, húmida e com mau odor. O diagnostico de otite externa causada por ‘Malassezia pachydermatis’ baseia-se na observação de lesões compatíveis, na resposta a terapêutica antifúngica e na presença elevada de leveduras por observação direta no microscópio. Assim, o principal objetivo deste trabalho é determinar a prevalência de ‘Malassezia pachydermatis’ em cães diagnosticados com otite externa entre 1 de agosto de 2025 e 2 de fevereiro de 2026 na Clínica Veterinária de Vodskov, Dinamarca. Neste estudo foram incluí dos 65 cães que apresentavam sinais clínicos compatíveis com otite externa, dos quais 38,5% foram identificados como positivos ê 61,5% foram identificados como negativos. E ainda se demonstrou que a raça Labrador Retriever foi a raça com maior percentagem de casos positivos para Malassezia.
Plano de Segurança da Água na CUF
Publication . Roma, Carlos Eduardo Dias; Araújo, Rui Manuel da Silveira
O Plano de Segurança da Água (PSA) em ambiente hospitalar emerge como uma
ferramenta de gestão de risco proativa e indispensável para a proteção da saúde pública.
Num contexto onde a água é um elemento vital para a higiene, procedimentos médicos
e consumo diário, a garantia da sua segurança assume uma importância crítica. Mais do que
uma mera conformidade regulamentar, o PSA adota uma abordagem holística que abrange todo
o sistema de abastecimento, desde a sua origem até aos pontos de consumo, salvaguardando a
saúde de utentes, profissionais e visitantes.
O processo central do PSA assenta na análise e avaliação de riscos, onde são
identificados perigos potenciais como a contaminação por Legionella - considerada a principal
ameaça hídrica em ambientes hospitalares. Com base nesta análise, são definidas e
implementadas medidas de controlo eficazes (e.g., controlo da temperatura da água,
manutenção preventiva e desinfeção) para a mitigação sistemática dos riscos.
Este documento estratégico tem como principal objetivo prevenir e controlar de forma
contínua os perigos que possam comprometer a qualidade da água e, consequentemente, a
saúde, especialmente em populações imunologicamente mais vulneráveis.
A eficácia e a fiabilidade do plano são asseguradas através de uma monitorização
contínua e da documentação rigorosa de todas as ações e resultados obtidos.
Em suma, o PSA constitui um modelo de gestão de segurança que reflete um
compromisso ético inegável com a saúde pública, garantindo a fiabilidade da água e prevenindo
doenças de origem hídrica num ambiente particularmente sensível e vulnerável.
“A gestão eficaz dos sistemas de abastecimento de água em Portugal envolve não apenas
a regulação técnica, mas também a integração de estratégias para garantir a sustentabilidade e
a segurança do recurso" (Dias & Marques, 2019, p. 52).”
Português como língua pluricêntrica: Desafios e estratégias para o ensino e formação de professores
Publication . Teixeira, Madalena; Bártolo Macário, Maria João; Andrade, A. I.; Gonçalves, M.; Lopes, J. B.; Malaquias, I.; Sá, C. M.; Batista, B.
Partindo da conceção de Clyne (1992) e Muhr (1992) relativa às línguas com caráter pluricêntrico, o Português cumpre os sete critérios que as definem. Trata-se de uma língua com duas normas dominantes bem estabelecidas (Português Europeu e Português do Brasil) e ainda outras em desenvolvimento como o Português moçambicano, o Português angolano e o Português são-tomense. Considerando que também se trata de uma das línguas proeminentes do século XXI, graças à sua posição supercentral (Calvet, 2002), o ensino do Português precisa de reconhecer que nesta língua convivem diferentes normas em uso, para que seja efetivamente valorizada e legitimada na sua diversidade.
Neste quadro, a formação de educadores/professores de/em Português desempenha um papel fundamental para que estes profissionais se assumam linguisticamente inclusivos, democráticos e interculturais e promovam a valorização da língua portuguesa, quer na sua unicidade, quer na sua diversidade. A criação de um curso de ensino de Português como língua pluricêntrica tornou-se essencial para formar professores capazes de reconhecer e valorizar a diversidade linguística. Paralelamente, a produção de materiais didáticos pluricêntricos permitiu integrar diferentes normas no ensino, promovendo uma abordagem inclusiva e representativa da realidade do Português. A valorização do Português enquanto língua pluricêntrica passa pela descrição teórica e pela respetiva concretização no ensino e na formação de professores. A adoção de um modelo pedagógico- -didático que reconheça esta pluralidade é fundamental para a sua afirmação global, garantindo que os falantes se sintam representados e que a língua continue a evoluir de forma dinâmica e inclusiva.
Certificação e Medidas de Eficiência Energética: Ferramentas para a Sustentibilidade em Edifícios de Serviços: Um estudo de caso
Publication . Gomes, Nuno Miguel Francisco; Santos, Vasco Eduardo Graça; Costa, Paulo Moisés Almeida da
Os edifícios representam uma parcela significativa do consumo de energia nos países
desenvolvidos, representando cerca de 40% do consumo final de energia na Europa. Este
elevado consumo tem implicações importantes para as sociedades, nomeadamente no que
concerne às emissões de gases de efeito estufa, ao aquecimento global e às alterações
climáticas. Em países como Portugal, o uso de energia nos edifícios também contribui para
o aumento da dependência energética. Ademais, para os proprietários e gestores de
edifícios, o consumo de energia implica custos que podem ser elevados.
A pressão para melhorar a eficiência energética dos edifícios tem crescido ao longo
dos anos, incentivando a adoção de soluções sustentáveis, como isolamento térmico
eficiente, sistemas de aquecimento mais sustentáveis e o uso de fontes de energia
renovável. Neste contexto, a União Europeia tem implementado diversas iniciativas para
aprimorar o desempenho energético e as condições de conforto dos edifícios, através de
diretivas que estabelecem normas obrigatórias para os Estados-Membros. Em Portugal, em
resposta às exigências europeias, foi criado o Sistema de Certificação Energética dos
Edifícios (SCEE). Como consequência, a certificação energética tornou-se obrigatória em
diferentes situações, incluindo edifícios novos e reabilitados.
Este trabalho de dissertação apresenta um processo de certificação energética de um
edifício de serviços localizado em Portugal, especificamente um hotel. Para o efeito, foram
utilizadas ferramentas de simulação apropriadas e efetuada uma análise detalhada do
ambiente envolvente e dos sistemas técnicos do edifício. O estudo identifica e quantifica os
principais pontos de desperdício de energia, propondo medidas de melhoria energética e
avaliando o seu impacto no desempenho global do edifício. Além disso, o trabalho inclui uma
avaliação económica das intervenções sugeridas.
O estudo demonstrou que o edifício requer intervenções para alcançar níveis
adequados de eficiência energética. As recomendações fundamentais incluem a instalação
de painéis fotovoltaicos, o reforço do isolamento térmico nas zonas mais vulneráveis e a
substituição das caldeiras atuais por sistemas mais eficientes. Conforme demonstrado, a
implementação das medidas em questão tem o potencial de transformar custos operacionais
constantes em investimentos com retorno, evidenciando que a transição energética no setor
hoteleiro representa uma necessidade ambiental e uma decisão financeiramente vantajosa.
