Universidade Politécnica de Viseu
Repositório Científico da Instituição
Entradas recentes
A perceção dos alunos do ensino secundário face à inclusão escolar dos seus pares com necessidades educativas especiais
Publication . Coelho, Rui Filipe Neto; Felizardo, Sara
Na escola inclusiva todos devem aprender juntos, independemente das especificidades de cada aluno/a e respeitando a diversidade de cada um/a. Para uma efetiva inclusão, as interações entre os pares são fulcrais, já que a escola é o principal palco de socialização. Os pares assumem um papel essencial na promoção da educação inclusiva.Neste contexto, foi realizado um estudo quantitativo, não experimental, de natureza exploratória, cujo objetivo foi conhecer a perceção e atitudes dos alunos sobre a inclusão dos seus pares com necessidades educativas. Para o efeito, foram inquiridos 23 alunos do 10.º ano de escolaridade, de um Agrupamento de Escolas da região Centro do país. Foi aplicado um questionário ad hoc sobre perceções e atitudes sobre inclusão, sendo que os dados obtidos demonstraram que os alunos são favoráveis à inclusão dos seus pares com necessidades educativas, não existe relação significativa entre as perceções e a idade, tendo-se verificado algumas diferenças significativas nas perceções em função do sexo. É fundamental que os colegas estejam conscientes das necessidades das crianças com necessidades especiais e interajam com elas a partir dessa consciência, para que a educação inclusiva seja bem-sucedida e esses indivíduos possam ter um futuro melhor.
Entre o cuidar e o pertencer: Perceções de qualidade de vida e de satisfação no CACI da ASSOL
Publication . Teixeira, Maria Isabel Almeida Soares; Felizardo, Sara
Esta investigação, desenvolvida no âmbito do Mestrado em Educação Especial – Domínio Cognitivo e Motor, teve como objetivo compreender as perceções de qualidade de vida e de satisfação de pessoas apoiadas e suas famílias relativamente aos apoios prestados pelo Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) da ASSOL. O universo dos participantes é constituído por 88 pessoas apoiadas, complementado por uma amostra de famílias participantes ao longo dos três anos em estudo (30 em 2022, 36 em 2023 e 33 em 2024). Os dados foram recolhidos através de questionários institucionais aplicados no âmbito do processo de certificação EQUASS, complementados por análise documental de materiais internos. O estudo segue um desenho quantitativo não experimental, baseado na observação das perceções das pessoas apoiadas e das suas famílias tal como ocorrem no contexto real. A análise dos dados incluiu procedimentos estatísticos descritivos e inferenciais, permitindo identificar padrões, diferenças e tendências ao longo dos três anos avaliados. Esta triangulação possibilitou uma compreensão mais profunda e contextualizada dos fenómenos em estudo. Os resultados revelaram uma valorização consistente das práticas centradas na pessoa, com destaque para a dimensão “Sentir-se valorizado”, que obteve pontuação máxima nos três anos. Verificaram-se diferenças estatisticamente significativas em função do sexo dos participantes e variações ao longo do tempo, especialmente nas dimensões “Participação social” e “Contentamento interior”. A análise das perceções das famílias revelou elevada convergência com as avaliações dos utentes, reforçando o papel da família como elemento estruturante da qualidade de vida.
Relatório de estágio- Igaxe
Publication . Neves, Vanessa Borges; Fonseca, Susana; Campos, Edgar
Este relatório documenta o estágio do Mestrado em Intervenção Psicossocial com Crianças e Jovens em Risco, realizado na ONG Igaxes (Ourense) ao abrigo do programa Erasmus+. A intervenção decorreu na Vivenda Tutelada (contexto principal), na Vivenda Assistida e na Oficina, visando aumentar a motivação de jovens em processo de emancipação e promover o seu envolvimento ativo nos projetos de vida autónoma. O diagnóstico foi realizado através de observação (inicialmente não participante e depois participante), visitas ao contexto, análise documental e aplicação das ferramentas de Análise SWOT e Árvore dos Problemas. O planeamento da intervenção foi estruturado de forma sistemática, utilizando como ferramentas principais a Árvore de Objetivos e o Quadro de Medidas. O desenho das atividades visou otimizar a resposta institucional, assegurando a agilização de tarefas burocráticas e logísticas, fundamentais para o funcionamento eficiente dos recursos de acolhimento. A implementação focou-se na presença ativa em três eixos: na Vivenda Tutelada, através do treino de autonomia doméstica e apoio escolar/clínico; na Vivenda Assistida, com foco na gestão burocrática e monitorização da independência; e na Oficina, centrada na capacitação e orientação para a inserção no mercado de trabalho. A avaliação do projeto baseou-se em indicadores qualitativos e quantitativos recolhidos através de grelhas de observação direta e questionários de satisfação, que permitiram monitorizar o impacto da intervenção em tempo real. Estes indicadores serviram para medir a utilidade prática das atividades implementadas e também o grau de envolvimento, adesão e evolução motivacional dos jovens face aos objetivos inicialmente traçados. A intervenção fortaleceu a autonomia dos jovens em contexto natural, melhorou a capacidade de autogestão e organização de rotinas e concluiu-se que o modelo de transição gradual das vivendas é fundamental para promover uma integração social segura e motivadora.
O Papel do Suporte Social na Funcionalidade de Pessoas com PEA: Uma Análise Centrada nas Famílias
Publication . Rodrigues, Ana Isabel Almeida; Xavier, Paula
O suporte social, formal e informal, é fundamental para o bem-estar das famílias e para a funcionalidade das crianças e jovens com PEA. Redes de apoio estruturadas facilitam a adaptação aos desafios da perturbação, promovendo maior autonomia e inclusão. Nesse sentido, importa analisar como as famílias percecionam estes apoios e a forma como influenciam a funcionalidade dos filhos/as ao longo do desenvolvimento. Assim, o presente estudo teve como objetivo compreender as perspetivas das famílias acerca do suporte social disponível e a sua relação com a funcionalidade das pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA). Pretendeu-se analisar de que forma, e segundo as perspetivas das famílias, as redes de apoio, formais e informais, influenciam o desenvolvimento, a autonomia e a funcionalidade dos filhos/as com este diagnóstico. Os objetivos específicos incluíram: conhecer o processo de diagnóstico da PEA; identificar e analisar as redes de suporte social das famílias, representando graficamente, através do Ecomapa, as fontes de apoio mais relevantes; e compreender as perceções familiares sobre os apoios e a funcionalidade dos jovens com PEA. Tratase de um estudo descritivo e qualitativo, realizado com oito participantes, todas mães, divididas em dois grupos: quatro mães de crianças em idade pré-escolar e quatro mães de jovens adultos (18-24 anos) diagnosticados com PEA. Foi utilizada a entrevista semiestruturada, tendo as entrevistas sido transcritas integralmente e analisadas segundo a técnica de Análise de Conteúdo. O estudo evidenciou que, segundo as participantes, as famílias vivem o diagnóstico da PEA com incerteza e falta de informação, recorrendo muitas vezes à procura autónoma de apoio. As redes de suporte revelaram-se essenciais, mas desiguais, evidenciando-se lacunas na continuidade dos apoios, sobretudo após os 18 anos. De acordo com as mães, verificam-se progressos expressivos no desenvolvimento e autonomia quando existe uma intervenção especializada consistente, embora persistam dificuldades em algumas áreas. No geral, na perspetiva das entrevistadas, a funcionalidade das crianças e jovens com PEA parece depender fortemente da qualidade e continuidade dos apoios disponíveis.
Relatório de Estágio numa Comissão de Proteção de Crianças e Jovens da Região Norte: Intervenção psicossocial com família em contexto de risco
Publication . Soares, Rute Marlene Oliveira; Felizardo, Sara
O presente relatório de estágio retrata o trabalho desenvolvido no âmbito do estágio curricular realizado para obtenção do grau de mestre em Intervenção Psicossocial com Crianças e Jovens em Risco, pela Escola Superior de Educação de Viseu. O estágio curricular foi realizado numa Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco da zona Norte. A implementação do estágio estruturou-se em quatro eixos de intervenção: o primeiro eixo incidiu na colaboração na atividade processual da CPCJ, constituindo a principal componente do estágio. Através da análise do volume processual foi possível identificar que a problemática predominante na região era a exposição das crianças e jovens a situações de violência doméstica. Neste contexto, foram realizados 41 atendimentos, 16 visitas domiciliárias, 18 reuniões da Comissão Restrita e 3 reuniões da Comissão Alargada, permitindo compreender o funcionamento da CPCJ e da intervenção multidisciplinar desenvolvida junto das crianças, jovens e das respetivas famílias. Os eixos 2 e 3 centram-se na colaboração nas atividades de sensibilização dos Direitos das Criança e na colaboração nas atividades do Mês da Prevenção dos MausTratos na Infância, reforçando a importância da promoção dos direitos das crianças, bem como a consciencialização da comunidade para os maus-tratos. O quarto eixo consistiu na realização de um estudo de caso sobre uma família acompanhada pela CPCJ em contexto de violência doméstica. Para o efeito, esta pesquisa teve como objetivo perceber o funcionamento e dinâmicas relacionais de uma família de risco, num contexto de violência doméstica, considerando a sua estrutura, fatores de risco e proteção e rede de suporte social. Os resultados evidenciaram fragilidades na estrutura e dinâmicas relacionais, bem como uma rede de suporte muito centrada na família alargada e reduzida integração comunitária. Foram identificados fatores de risco para além da problemática principal, designadamente consumo de substâncias por parte do progenitor, violência doméstica e situações de negligência. Também foram identificados fatores de proteção, nomeadamente a comunicação positiva e colaborativa entre as entidades envolvidas e a família, bem como a relação de proximidade entre a progenitora e as filhas mais novas, ao contrário do que sucedia com o filho mais velho, sendo uma relação frágil. Com base nestes resultados foram propostas linhas de intervenção direcionadas às necessidades da família. É importante sensibilizar a sociedade para a importância de sinalizar alegadas situações de maus tratos, pois ao sinalizar às entidades competentes estão a precaver que estas situações evoluam para situações mais graves.
