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- Compreender as (des)conexões entre a autoavaliação e a autonomia escolar: desassossegos e (des)crenças dos professoresPublication . Rocha, João; Ramalho, Henrique; Lacerda José, Carla Sofia PereiraO texto resulta de um projeto de investigação-ação (Simões, 1990) em desenvolvimento num agrupamento de escolas, cujo objeto principal é a avaliação institucional, mais comummente vertida sob a configuração de autoavaliação. Inserida no eixo “Governação da educação e gestão democrática”, a proposta decorre de uma das atividades iniciais do projeto, designada por Diagnóstico pré-formação – levantamento e análise das necessidades e expetativas de formação e desenvolvimento profissional em autoavaliação dos educadores e professores. Estando circunstanciada no quadro restrito desta atividade, esta primeira incursão do projeto tem como objetivo, para além de suscitar um quadro o mais fiel quanto possível das necessidades de formação e de desenvolvimento profissional dos docentes no campo específico da autoavaliação, visa, também, compreender os desassossegos e as (des)crenças que estes atores têm vindo a (re)construir a respeito da autoavaliação das escolas e, mais particularmente, das suas próprias práticas e conceções de autoavaliação das escolas. Do ponto de vista teórico, privilegia-se uma abordagem focada em três pontos de análise: i) as teorias da avaliação educacional aplicadas à avaliação institucional das escolas públicas (Figari, 1996); ii) as conceções de avaliação institucional da escola, esclarecendo, logo à partida, conceitos como heteroavaliação, autoavaliação, avaliação externa e avaliação interna (Terrasêca, 2016; Correia, 2016); iii) a compreensão da influência dos processos de autoavaliação na governação e gestão das escolas (Afonso, 2017), a partir do ângulo específico das heteronomias e das autonomias facultadas pelas mais recentes incursões de uma avaliocracia (Afonso, 2008) cada vez mais instituída na escola portuguesa. No plano metodológico, ao envolver diretamente todos os docentes do agrupamento, este trabalho decorre de uma metodologia que é subsidiada por técnicas e abordagens ditas não experimentais (inquérito por entrevista e por questionário e a análise documental). Do ponto de vista das ilações, suscita-se um exercício de cotejo que denuncia importantes (des)conexões entre conceções e anseios profissionais sobre a autoavaliação das escolas e as atuais configurações com que se tem vindo a institucionalizar enquanto procedimento obrigatório, não surgindo suficientemente liberta das amarras normativistas e heterónomas de timbre centralista da avaliação externa, com os consequentes efeitos ao nível da governação da escola pública
- As crianças e a igualdade de género: um estudo na EPE e no 1.º CEBPublication . Almeida, Cláudia Alexandra; rocha, joaoEste estudo, desenvolvido no âmbito de um relatório final de estágio em Educação Pré-Escolar (EPE) e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico (1.º CEB), visa compreender as perceções das crianças da EPE e do 1.º CEB relativamente à igualdade de género, assim como as conceções dos seus pais ou encarregados de educação, analisando as inter-relações entre ambos. Partindo da premissa de que a igualdade de género constitui um dos pilares da Educação para a Cidadania e um vetor essencial na construção de sociedades mais justas, equitativas e inclusivas, o trabalho desenvolve-se sob um paradigma qualitativo e assenta metodologicamente na realização de quarenta entrevistas semiestruturadas: dez a crianças da EPE, dez a alunos do 4.º ano do 1.º CEB, e vinte aos respetivos encarregados de educação. A análise dos dados permitiu identificar diversas dimensões, entre as quais os estereótipos de género associados a profissões, tarefas domésticas e contextos lúdicos, bem como a forma como crianças e adultos percecionam a igualdade de género e a sua relevância. Os resultados evidenciam que, apesar de alguns avanços nas conceções mais abertas e igualitárias, persistem estereótipos enraizados que condicionam as preferências, atitudes e comportamentos, tanto das crianças como dos seus cuidadores. Em particular, observa-se que muitas crianças associam profissões ou brinquedos a um género específico, revelando o impacto das influências familiares e sociais desde tenra idade. Do lado dos encarregados de educação, nota-se, por vezes, uma postura protetora, motivada pelo receio de exposição dos filhos a julgamentos sociais, o que contribui para a perpetuação de desigualdades. A análise comparativa entre os dois grupos etários também indica que, embora as crianças do 1.º CEB apresentem maior consciência crítica sobre o tema, continuam a reproduzir padrões culturais limitadores. Conclui-se que, embora a legislação e as orientações curriculares promovam a igualdade de género, o seu impacto efetivo só se concretiza com a articulação entre escola, família e sociedade. O estudo reforça a importância de se trabalhar a igualdade de género desde os primeiros anos de escolaridade, de forma transversal e sistemática, como estratégia essencial para desconstruir estereótipos, promover o respeito pela diversidade e formar cidadãos mais conscientes e comprometidos com os valores democráticos.
