RE - Número 08 - Outubro de 1997
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Browsing RE - Número 08 - Outubro de 1997 by Subject "Análise Literária"
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- Duas nótulas queirosianas: I - O Crime do Padre Amaro como reflexo da evolução estético-ideológica de Eça de QueirósPublication . Cardoso, Luís Miguel Oliveira de BarrosPolémico e atemporal, O crime do padre Amaro configurará ad aeternum a sinergia de contributos estéticos e ideológicos que presidiu ao processo da sua publicação, bem como representará, na prática, um percurso da evolução literária. Encetemos uma subtil peregrinação de modo a equacionarmos, não com um pensativo cigarro, mas tão só com uma sinóptica pena, o itinerário da obra e do autor.
- Duas nótulas queirosianas: II - Eça de Queirós e Emile Zola - do palimpsesto ao autógrafo, entre Les Rougon-Macquart e os MaiasPublication . Cardoso, Luís Miguel Oliveira de BarrosEm literatura, não raro encontramos posições críticas pautadas pelo maniqueísmo simplista que resvalam para o depauperamento do objecto de análise. Todavia, o leitor crítico deve procurar a compreensão multímoda que enforma uma reflexão pertinente e atenta. Esta premissa ilumina esta nótula sobre o autor de Os Maias, riquíssimo exemplo de um polifacetado percurso estético-ideológico. De facto, a obra de Eça conheceu reflexões e leituras baseadas na descoberta do texto que existe sob outro texto, em busca dos caracteres realistas e naturalistas. Porém, um leitor atento deve conciliar o fenómeno palimpséstico com o percurso do autor, demandando o autógrafo da originalidade.
- Humanismo e Erasmismo no Renascimento português. Pedro Sanches e a musa de Roterdão: o (des)velado Cálamo de pendor ErasmistaPublication . Cardoso, Luís Miguel Oliveira de BarrosO Manuscrito F.G. 6368 da Biblioteca Nacional de Lisboa, relicário da obra de Pedro Sanches, inclui um poema em 161 hexâmetros dactílicos, com o título De Superstitionibus Abrantinorum, ou seja, «Acerca das Superstições dos Abrantinos», que mereceu aturado estudo por parte do Doutor Américo da Costa Ramalho 1 e que se revela um texto basilar para a compreensão da personalidade do nosso humanista. Este poema denota um pendor erasmista se tivermos em mente um desvelado cálamo que ousou entrar nos domínios da crítica do exercício da religião. Porém, se o texto pode atestar o perfume da Musa de Roterdão, o autor, talvez devido às suas grandes responsabilidades na Corte - «Supremi Senatus a Secretis, rege Sebastiano», de acordo com o Ms. F.G. 6368 da B.N.L. - não o publicou, nem a outros semelhantes que talvez tivesse escrito, pelo que o cálamo erasmista de Sanches se apresenta velado, em relação à sua época e em relação ao próprio perfil do humanista, no que concerne à sua simpatia para com Erasmo.
- Linhas de coesão em " A Morgada de Romariz",de Camilo Castelo BrancoPublication . Sousa, Martim de Gouveia eNa literatura, como nas restantes artes, estamos em crer que nada se perde. Ao contrário, tudo significa. Daí, e para que uma melhor dilucidação se efectue, ser necessário observarmos o que se nos depara, no exterior e no interior. Um simples vocábulo pode empecer a decodificação do texto literário, para tal bastando lembrar a consabida "norma" de que só chegará à literariedade quem conquistar a literalidade. Assim, e acertando pela terminologia kristeviana, poderemos dizer que o fenotexto (estrutura de superfície) e o genotexto (estrutura profunda) de um qualquer exemplar literário mantêm entre si uma relação indissociável e programática. A coesão de um texto, entendendo-se aqui este último como uma tessitura semiótica e linguística, é um facto inalienável, por mais longe que nos sintamos da sua com- preensão. A leitura, por seu lado, e um tanto na esteira da estética da recepção, é ela própria uma tentativa de construção de uma coesão textual .
- A propósito das teses sobre A Cidade e as Serras : será esta obra de Eça um «romance de tese»?Publication . Lopes, Fernando Alexandre de Matos PereiraQuando, no dealbar da minha adolescência, o interesse pela leitura de obras literárias ia nascendo naturalmente com um espaço de sedução, eu sentia que era um imperativo vocacional dever conhecer, de forma crescente, o imaginário que os autores, naquela altura indicados como modelos canónicos, tinham criado para meu conhecimento e fruição artística. Efectivamente, o meu entusiasmo juvenil pela literatura, de forma alguma, me poderia conferir o estatuto de leitor crítico, até porque quaisquer que fossem as minhas convicções de uma hermenêutica consistente, face a um Eça, a um Camilo, a um Júlio Dinis ou a um Torga, não poderiam passar, obviamente, de fantasistas aventuras icáricas.
- O Romance da Feiticeira Cotovia e o Romanceiro PortuguêsPublication . Correia, Manuel José Monteiro SáO Auto da Feiticeira Cotovia de Natália Correia é para nós um desafio: tentar descobrir neste longo poema da sua autora marcas em que transpareçam, mesmo que seja para obter um efeito especial, temas ou formas populares. Isto é, a poesia, neste caso de Natália Correia, é sobretudo expressão de intuições do real, adivinhações, achados verbais, mais ou menos voluntários, emotividade de raiz obscura, efusão de lirismo puro que propicia um encontro com o popularizante e o aproveitamento consciente de termos ou formas populares tidas como tais.
- Vergílio Ferreira e as suas relações com a cidade de ViseuPublication . Sousa, Martim de Gouveia eA palavra literária que continua a dimanar da lava vergiliana, actividade magmática por sobre o fogo e as cinzas dos círculos dantescos onde os artistas e as obras de todos os tempos e lugares se telescopam num locus angelicus aos melhores reservado, sempre nos conduziu a espaços vergilianamente ditos "lugares do seu espírito". Esta aptidão da obra de Vergílio Fer- reira tem paralelo com muitos autores, grande parte dos quais canonizados no incontornável The Western Canon. The Books and School of the Ages., do já celebérrimo Professor de Humanidades da Universidade de Yale Harold Bloom.
- Viagens na minha terra de Almeida Garrett: a função nacional e social da literaturaPublication . Alves, Sónia SantosSegundo António José Saraiva, «deve-se (...) aos Árcades a primeira definição da literatura como função social e nacional, ideia que será essencial nos primeiros românticos. A campanha no sentido de fazer da literatura um instrumento de transformação nacional, e sobretudo a campanha para a criação de um "teatro nacional", são iniciadas com grande determinação por Garção, Figueiredo e outros Árcades: Garrett e Herculano limitaram-se a receber o facho.»1
- Vieira PregadorPublication . Pires, Maria Lucília GonçalvesRecordando a vasta obra de Vieira e a forma como foi recebida e apreciada ao longo destes três séculos, facilmente se verifica que os Sermões são o título principal da sua glória literária. Os seus textos oratórios (cerca de 200 sermões) chegaram até nós, não na forma em que foram pronunciados, mas, quase todos, na forma que o seu autor lhes quis dar ao prepará-los para a impressão, tarefa a que dedicou os últimos vinte anos da sua longa vida. O primeiro dos volumes que assim prepara, recuperando o que da sua pregação restava no que chama os seus "borrões" (textos completos, fragmentos de sermões, planos, esboços, etc.) é publicado em 1679. Nos anos seguintes, primeiro em Lisboa, depois (a partir de 1681) na Baía, prossegue este trabalho, publicando sucessivamente mais onze volumes. O último (o 12º) é enviado para Lisboa para ser impresso já depois da morte do seu autor.
