Departamento de Ecologia e Agricultura Sustentável (DEAS)
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Browsing Departamento de Ecologia e Agricultura Sustentável (DEAS) by advisor "Costa, Cristina Amaro da"
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- A cultura do Figo (Ficus carica L.): uma proposta de itinerários técnicosPublication . Gonçalves, Adriana Miranda; Costa, Cristina Amaro da; Wessel, Dulcineia FerreiraA figueira (Ficus carica L.) é cultivada em Portugal desde a Antiguidade e apresenta especificidades botânicas marcantes: o figo é uma infrutescência, designada por sicónio, que contém o verdadeiro fruto - aquénios - que se encontram fechados no seu interior, e que só podem ser polinizados por um inseto específico, o ‘Blastophaga psenes’. Este estudo caracterizou os itinerários técnicos da cultura do figo, a partir de inquéritos semiestruturados, realizados a cinco produtores, que abrangeram operações culturais, custos de instalação/manutenção, formas de financiamento e canais de escoamento. Os resultados revelam potencial de rentabilidade, dependente da gestão hídrica, da escolha varietal (tipos Comum vs. Smyrna) e do acesso a mercados de alto valor (figo fresco premium ou figo seco). O cultivo em estufa, que tem o potencial de aumentar o rendimento e estender o período de colheita, em comparação com o cultivo ao ar livre, necessita de mais estudos para identificar os fatores que podem elevar sua produtividade. As práticas agrícolas observadas são maioritariamente sustentáveis, com predomínio do controlo biológico de pragas e uso reduzido de produtos químicos. Embora os custos de instalação e manutenção sejam elevados, a valorização do produto e a diversificação de mercados indicam potencial de rentabilidade, em função das variedades. O estudo foi desenvolvido em parceira com a Inovfarmer.MED.
- Avaliação do efeito bioativo de extratos botânicos de Ficus carica L. e Opuntia ficus-indica (L.) Mill. sobre Phthorimaea absoluta Meyrick e Macrolophus pygmaeus (Rambur)Publication . Santos, Sérgio Miguel Alves dos; Costa, Cristina Amaro da; Wessel, Dulcineia Maria de Sousa FerreiraA procura por estratégias alternativas e métodos adequados à proteção das culturas agrícolas é essencial ao reforço dos objetivos de uma agricultura que se pretende gradativamente mais sustentável. Nas últimas décadas tem sido produzido um número considerável de estudos que corroboram o potencial inseticida de constituintes químicos derivados do metabolismo secundário das plantas, cuja utilização é sugerida como ferramenta alternativa aos pesticidas de síntese empregues frequentemente na gestão de pragas agrícolas. O trabalho que se apresenta foi efetuado no âmbito do Projeto “InovFarmer.MED - Melhorar a cadeia de abastecimento do Mediterrâneo através de modelos de negócios agroalimentares inovadores para fortalecer a competitividade dos pequenos agricultores, com o figo-da-índia e figo como estudo de caso” e tem por finalidade a avaliação do potencial bioativo de extratos botânicos para o possível desenvolvimento de uma alternativa ecológica para a proteção das culturas. Neste contexto, o presente estudo investigou o teor em compostos fenólicos totais e a atividade antioxidante de extratos obtidos a partir de folhas e de cladódios, das espécies Ficus carica L. e Opuntia ficus-indica (L.) Mill., respetivamente. Foram realizadas extrações etanólicas a 70% e 96% para folhas, a 70% para cladódios e, adicionalmente, uma extração salina de cladódios com NaCl 0,15M. Os resultados demonstraram que o extrato etanólico a 70% (EF01) foi o mais rico em compostos fenólicos nas folhas de figueira (7,2 ± 0,6 mg EAG/g), enquanto nos cladódios, o extrato salino (EC04) apresentou os maiores valores (51,8 ± 2,4 mg EAG/g). A relação entre o teor fenólico e a atividade antioxidante não foi linear, com o extrato etanólico a 90% (EF02), a apresentar maior atividade antioxidante (ABTS 50,0 ± 6,2 g TE/g e DPPH 37,0 ± 8,0 g TE/g) em relação ao extrato EF01. Os extratos foram posteriormente testados quanto ao seu potencial inseticida em lagartas de terceiro instar de Phthorimaea absoluta Meyrick por contacto e ingestão, pelo método de imersão de folhas. Os efeitos secundários dos mesmos extratos foram testados no mirídeo zoofitófago Macrolophus pygmaeus (Rambur), que pode desempenhar um papel importante no controlo biológico daquela praga. Para determinação de toxicidade sobre estes insetos, foi utilizada a metodologia de exposição à superfície contaminada. Os resultados obtidos sugerem que os extratos testados não exibiram o nível de toxicidade esperado em lagartas de terceiro instar de P. absoluta, ainda que o tratamento efetuado com o extrato etanólico de folhas a 70% (v/v) tenha diferido significativamente do grupo de controlo (p < 0,05). Por sua vez, na avaliação ecotoxicológica dos extratos em M. pygmaeus, verificou-se que nenhuma das formulações botânicas diferiu significativamente do controlo negativo (p > 0,05).
- Ferramentas para a valorização da Dieta MediterrânicaPublication . Oliveira, Francisco Lopes; Costa, Cristina Amaro da; Florença, Sofia GuinéA presente tese explora a intersecção entre a Dieta Mediterrânica e a ciência cidadã, com o objetivo de analisar o potencial desta última na promoção de um padrão alimentar saudável e sustentável em Portugal. A Dieta Mediterrânica, reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade, destaca-se pelos seus benefícios para a saúde e sustentabilidade, mas enfrenta desafios no contexto português devido à transição para hábitos menos saudáveis. A ciência cidadã, por sua vez, surge como uma ferramenta participativa para monitorizar sistemas alimentares e envolver a comunidade na criação de conhecimento. O estudo inclui uma caracterização da Dieta Mediterrânica, onde se abordam as suas origens, princípios e panorama em Portugal. Segue-se uma revisão sistemática sobre a utilização de ciência cidadã aplicada ao sistema alimentar (2014-2024). Esta revisão, realizada sobre oito artigos científicos, permitiu identificar as metodologias, participantes, resultados e impactos, em particular os relacionados com a consciencialização sobre a sustentabilidade dos cidadãos participantes. Finalmente, procurou-se avaliar as perceções dos portugueses em relação ao interesse e conhecimento sobre ciência cidadã, através da implementação de um questionário online. Participarem 390 indivíduos, que puderam ser divididos em dois grupos: Grupo A (n=362) que inclui indivíduos que nunca participaram num projeto de ciência cidadã ou não sabem se já participaram e Grupo B (n=28) que inclui os que já tinham participado em projetos de ciência cidadã. Os resultados mostram existir uma familiaridade moderada com o termo ciência cidadã (35,1%) e baixa participação em geral em projetos de ciência cidadã (7,2%). Os participantes incluídos no Grupo B indicaram como principais razões para participarem em projetos de ciência cidadã as motivações ambientais (75,0%) e o facto de serem normalmente baseados em ferramentas digitais (71,5%). Dos resultados do trabalho, é possível afirmar que a ciência cidadã pode ser uma metodologia útil em trabalhos de investigação que visem reforçar a adesão à Dieta Mediterrânica e contribuir para melhorar a alimentação e saúde pública. O desenvolvimento de ferramentas digitais participativas para registar hábitos alimentares, que integrem educação e colaboração, poderá contribuir para potenciar transformações nos sistemas alimentares portugueses e promover resiliência e bem-estar.
